Hoje tento encontrar um jeito de te dizer que sou como você.

Primeiro quero te pedir perdão. Perdão por faltar em sua vida comida, emprego, remédio, saúde, moradia e muitas vezes dignidade. Por faltar momentos de felicidade.

Perdão por vivermos neste país, onde vejo a tristeza nos olhos das pessoas que são arrancadas de suas casas por conta dos estacionamentos e obras para impressionar os visitantes. Perdão, por viver nesse país anestesiado, com uma desigualdade social assustadora. É triste demais. É de fazer chorar as histórias que eu poderia te contar.

Com a exposição do meu projeto (A Nossa Jornada) na mídia, descobri como somos carentes de atenção,  de afeto. Somos carentes de falar e de ouvir.

Me tornei a esperança para mais de 45 mil pessoas que me seguem. Seria injusto, se não fosse o batalhão de gente que também quer se juntar a nós para ajudar.  O trabalho é árduo, mas vital para mim.

Hoje estamos nos estruturando.

Somos18 voluntários, que entre uma vida normal - como a sua - tentamos incansavelmente cuidarmos uns dos outros, e de você.

Eu?

Eu sou uma pessoa como você. Com problemas, trabalho, família, filhos. Ando de ônibus, de metrô. Ando a pé. Choro. Moro de aluguel e pago prestação do meu carro. Conto moedas para pagar um café, muitas vezes. Meu celular já foi cortado, meu cartão já foi bloqueado, já fiz uma cirurgia de emergência, me sinto culpada pelo tempo que não passo com a minha família e por não poder ajudar todo mundo que me procura. Sou brava e tenho dificuldades para encontrar o meu limite físico. Faço terapia para encontrar dentro de mim, uma pessoa melhor. Converso com Deus e tenho Jesus como um bom amigo e companheiro.

Hoje faço curso de Kabbalah, vou ao Centro Budista, a às vezes vou à missa aos domingos. Já fui nos cultos evangélicos, já passei um sábado na igreja Adventista do 7º dia. Já fiz curso místico. Já psicografei mensagens espiritas e tive a honra de conhecer pessoalmente Chico Xavier. Me casei a primeira vez, no centro de Allan Kardec.

Já fui ao terreiro da Umbanda. Já fiz simpatia e fui a benzedeiras. Já benzi. Leio tarôt.

E respeito, amo, acredito e admiro todos os caminhos que temos disponíveis para chegarmos em algo maior.

Acho que descobri um segredo: O segredo de compartilhar. Compartilho o meu tempo, a minha vida, o meu amor, o meu coração.

 

Compartilhando não deixo de ter problemas, mas a vida segue melhor, flui com um propósito e com uma missão. Porque o que seria da vida sem a nossa missão?

Sim, ainda há muitas coisas que quero fazer, tenho muitos sonhos que quero realizar, mas ver os sonhos realizados

Já chorei, já me senti impotente, mas quem disse que seria fácil?

Mas tenho Paz e sigo em frente, acreditando e apostando no amor.

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