"Ó meu pai do céu, limpe tudo aí, vai chegar o rei precisando dormir. quando ele chegar, tu me faça um favor, dê um manto a ele e que ele me benza por onde eu for"

Ele se foi. Voltou pra casa. Não esperou o café com bolo. Foi viver feliz, sem a falta material dos últimos tempos, sem a ausênia dos amigos. Ele se foi, foi encontrar seus pais e seus amores do lado de lá.
Vladimir Capella tenha uma passagem em paz, sem medo e brilhante como você.

Eu fico aqui, com uma saudade que dilacera o peito, uma vontade de ter feito mais por você, uma gratidão que não cabe em mim por tudo o que você significa na minha vida e a certeza de um abraço de urso, quando eu também voltar pra casa.

Você estará vivo pra sempre na minha jornada, você será imortal, porque contarei as suas, as nossas histórias para os meus filhos. Te amo, Vladi.

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escrever nos coloca no prumo, né Vladimir Capella? ordena as ideias e os sentimentos

acabei de voltar do seu velório e me peguei pensando várias vezes, o que você acharia daquilo tudo. com certeza, você estaria num canto bem escondido, com dois ou três amigos fumando um cigarro e falando algo engraçado sobre as pessoas que lá estavam te vendo.

me deu dor de estômago, meu coração disparou e minhas pernas ficaram bambas, enquanto eu subia as escadas e ia chegando devagar perto de onde você estava deitado. eu queria encontrar outra pessoa ali. queria um: "desculpa, foi engano". e desliga o telefone "tu tu tu."

mas não é que era você mesmo? igualzinho, do jeito que te deixei. mais branco, mais pálido, mas era você. era esse corpo que a gente tem mania de se apegar.

sinto que sua alma ainda dorme, bem longe daqui e se prepara para a nova vida que se inicia.

e hoje te agradeci pelo mestre e pelo amigo que foi comigo, me desculpei por não ter feito mais por você. por não ter ficado mais perto de você nos últimos anos. por não saber o que te acontecia. rezei nem sei quantas vezes a prece de cáritas, acho que umas cinco. e me sentei, pra lembrar das histórias engraçadas com você.

te dei dois beijos na testa. um meu e outro da Talita Castro, sua Maria, que está no Rio com o mesmo coração dilacerado de todas as pessoas que tiveram contato com a sua poesia. hoje, ficamos mais pobres.

Monalisa Capella Delgado minha querida, você é a poesia dele viva.
Falaremos sobre a Miranda, não esquece. Emoticon heart
Thais Pimpão mais um reencontro que o Vladi nos proporcionou! Não nos perdemos mais de vista.

E no descompasso que anda a minha vida pessoal, hoje foi um dia pra fechar e entender exatamente onde tenho que estar e ficar.

Se tiver um tempo, veja o último trecho da nossa conversa, Vladi! Uma conversa que vou ler e reler sempre. Você não me esperou, mas eu fui mesmo assim. Continuo a mesma insistente de 20 anos atrás, a mesma que vai atrás de quem ama e do que acredita.

Até já. Brilhe daí. Te vejo e te sinto daqui.

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